BODAS DE VINHO
24/02/2017 10:46 (atualizado em 31/12/1969 21:00)

Amor e respeito: a receita para chegar aos 70 anos de casados Conheça o casal Ilva e Antonio Costacurta, que comemoraram 70 anos de união conjugal, demonstrando que o amor ainda está presente após mais de sete décadas de convivência

Guaraciaba

         Viver ao lado de quem amamos nos faz mais felizes, transforma nossas vidas, nos torna melhores. Agora imagine viver aproximadamente 90 anos e, destes, 70 divididos com a mesma pessoa. Sete décadas, o que para muitos significa uma vida toda ou mais, Ilva Longhi e Antonio Costacurta completaram de união conjugal, algo extremamente raro e mais difícil de se imaginar frente ao número de divórcios que cresce a cada ano.

O segredo, seu Antonio explica. “É a coisa mais fácil. Quando um gosta do outro, quando a gente se gosta, se ama, e respeita um ao outro, é a melhor coisa que tem. Se é um amor sincero, tudo dá certo”, comenta o aposentado de 92 anos, que promete sempre amar a esposa de 89 anos. “Até que eu vivo eu penso de amar ela como amei até agora”, declara Antonio, com os olhos marejados. A cumplicidade do casal se traduz no dia a dia. “Nunca brigamos, nuca. Quando começa a brigar não se acerta mais”, revela Ilva.

 

O INÍCIO

O romantismo de Antonio não é de agora. Tudo começou na cidade gaúcha de Cotiporã, onde os dois jovens residiam. Para conquistar o coração da filha do vizinho, Antonio, que servia o Exército Brasileiro, adotou as cartas como forma de superar a distância e tocar o coração de Ilva. Mas tinha um porém, Ilva não sabia ler e precisava do auxílio do irmão, que lia para ela. “Naquele tempo, o escrever era a palavra”, lembra Antonio.

Assim, com cartas, que o então jovem militar ganhou o coração de Ilva, para não perder mais. O amor dos dois foi selado com o casamento em 15 de fevereiro de 1947, um pouco mais de um ano após o início do namoro. Ilva foi para a igreja a cavalo, único meio de transporte da época. Da união dos dois nasceram 12 filhos: Ivo, Iva, Luiz, Neusa, Lorena, Neivor, Irineu, Nadyr, Salete, José, Erone e Marli, todos ainda vivos. Questionado se foi difícil educar 12 filhos, Antonio é enfático. “Mais fácil do que hoje criar dois”, cita ao lembrar das dificuldades impostas pelo mundo atual.

Em 1951 o casal mudou-se para Santa Catarina com os pais de Antonio, Angelo Costacurta e Mariana Paludo Costacurta. Fixaram residência na chamada Vila Guaraciaba, sendo um dos primeiros moradores no município. Enfrentaram a dificuldade para derrubar a mata e trabalhar na agricultura. Em 1952 foram morar na casa construída por eles mesmos. O tempo passou e os filhos foram crescendo. O amor de mais de 70 anos foi abençoado ainda por mais 21 netos e 12 bisnetos.

 

A FESTA

Para comemorar bodas de vinho, uma festa foi organizada no último sábado, dia 18, no centro de idosos, em Guaraciaba. E se a saúde permitir, o casal que já comemorou 50, 60 e, agora, 70 anos de casados, pretende emendar mais uma década. “Depende do pai lá de cima. Se ele deixar, vai. Pela idade que temos e o cansaço que começa a sentir, seria meio comprido para chegar lá. Mas, se o pai deixar...”, comenta Antonio.

 

 

 

 

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